Saiba quais são as implicações de uma falência da Grécia nas suas poupanças.

A possibilidade da Grécia entrar em incumprimento nos próximos tempos é um dado quase adquirido pelos investidores que negoceiam obrigações do Tesouro helénico. Fique a saber o que significará esta realidade para as suas poupanças.




1 - Qual o impacto de uma falência da Grécia nos bancos portugueses?
Os bancos nacionais detêm cerca de 1,2 mil milhões de euros de dívida grega nos seus balanços. Se a Grécia entrar em incumprimento sofrerão perdas com aquelas posições e com eventuais desvalorizações da dívida pública portuguesa, por efeito de contágio. Apesar disso, os bancos têm à disposição a linha de recapitalização de 12 mil milhões de euros prevista no acordo com a ‘troika' para cumprirem os rácios de solvabilidade mesmo que as posições em dívida soberana pressionem o capital.


2 - Os depósitos estão seguros?
Em Portugal, caso um banco deixe de ter capacidade para fazer face aos depósitos, existe o Fundo de Garantia de Depósitos (FGD). Este Fundo tem como missão reembolsar até 100 mil euros por depositante. Este veículo é financiado pelas contribuições obrigatórias dos bancos e pela gestão de activos do próprio Fundo. Em caso do FGD não ter património suficiente para fazer face a coberturas de depósito, o Banco de Portugal pode disponibilizar esse dinheiro.


3 - E os certificados de aforro e do tesouro?
Ambos os produtos são instrumentos de dívida do Estado português. Isto significa que o incumprimento do Tesouro grego não repercutirá efeitos directos sobre estes produtos. Todavia, poderá gerar um efeito de contágio para um cenário de reestruturação da dívida nacional. E, nesse caso, se as regras se aplicarem de igual a todos os títulos de dívida (Obrigações do Tesouro, certificados do Tesouro e certificados de Aforro) poderá dar-se o caso de os subscritores destes produtos serem igualmente penalizados. Contudo, a resolução do Conselho de Ministros referente à regulamentação dos Certificados do Tesouro garante que "as condições de remuneração dos Certificados do Tesouro vigentes à data da respectiva subscrição não podem ser alteradas em sentido desfavorável ao aforrador durante o prazo de dez anos contado a partir da data de subscrição".


4 - O que acontece ao meu plano poupança-reforma?
De acordo com o relatório anual do ISP, publicado ontem, os planos poupança-reforma (PPR) apresentavam no final do ano passado um portefólio com uma exposição superior a 30% a títulos de dívida soberana. Assim, é natural que alguns destes produtos ainda tenham algumas obrigações gregas em carteira e que, num eventual cenário de ‘default' grego, se ressinta. Todavia, é importante salientar que, como a maior parte dos PPR avalia as obrigações ao preço de mercado, o embate de um ‘default' grego está longe de ser catastrófico.


5 - O que esperar das aplicações feitas em acções da bolsa nacional?
Segundo os especialistas, para os investidores que detenham aplicações em acções e que não necessitem de liquidez pode ser errado vender as acções no meio do pânico. Já para quem está fora do mercado, apesar das acções estarem "baratas" face à história é necessário um perfil de risco elevado, já que as incertezas no mercado são muitas. Uma das estratégias que os especialistas têm recomendado, para investidores de longo prazo, é apostar em empresas que distribuam dividendos elevados e que tenham capacidade de continuar a gerar dinheiro para remunerar os accionistas.


Fonte: Economico