Para calcular o valor do recheio comece por fazer uma lista dos objectos que tem em casa e considere o valor que pagaria se tivesse de os adquirir

Uma boa cobertura multirriscos-habitação pode ajudá-lo a poupar milhares de euros caso a sua casa seja atingida por um incêndio, uma inundação, uma tempestade ou um sismo, entre muitos outros imprevistos que podem ocorrer.







A maioria dos consumidores compra casa com recurso a crédito e muitos acabam por contratar a apólice no próprio banco em troca de uma redução do spread. Este é um dos truques mais frequentes das instituições financeiras. Contudo, pode contratar um seguro para o recheio noutra seguradora se considerar que é mais vantajoso.

Todas as apólices contemplam um conjunto de coberturas que constituem a base do seguro e são de contratação obrigatória. Além disso, o cliente pode subscrever outras coberturas que são facultativas e que podem ser contratadas mediante o pagamento de um prémio adicional.

A par das coberturas habituais - incêndio, danos por água, furto ou roubo, fenómenos sísmicos, tempestades e inundações, responsabilidade civil, privação temporária do uso da habitação e aluimento de terras - pode optar por coberturas específicas para o recheio. É o caso, por exemplo, da assistência ao lar, riscos eléctricos e acidentes pessoais. Não esqueça que esta última cobertura pode estar incluída noutros produtos, nomeadamente nos cartões bancários.

Cuidado com a avaliação - Depois de determinar o pacote de coberturas a contratar, é preciso definir o capital que irá segurar. Para isso, o melhor é começar por fazer uma avaliação rigorosa dos bens que tem em casa. Faça uma lista de tudo o que tem e valorize individualmente os objectos especiais.

Evite cair na tentação de sobrevalorizar os bens que tem em casa. O ideal é que faça uma avaliação fiel, pois, se indicar um valor inferior ao real, a seguradora paga só uma parte dos prejuízos, em caso de sinistro. Por exemplo, o recheio de casa ultrapassa os 50 mil euros, mas só declarou 30% (60% do valor real). Se for assaltado e lhe levarem bens no valor de 10 mil euros, recebe apenas 6 mil euros (10 mil multiplicados por 60%). Em contrapartida, não ganha nada com sobreavaliar. Paga mais de prémio e a companhia acaba só por lhe dá o equivalente ao valor real. "A avaliação correcta é fundamental quer para pagar um prémio justo, quer para receber a indemnização certa, se algo correr mal. Se os bens estiverem avaliados num valor inferior ao real, em caso de sinistro a seguradora só indemniza os prejuízos na proporção entre o capital seguro e o valor real, ficando o resto a cargo do segurado", revela a Associação de Defesa do Consumidor.

Segundo a Deco, a maior parte das companhias aplica a regra proporcional, mas, "como a avaliação dos bens não é fácil, prevêem uma margem de 15%". O capital seguro para o recheio é fixo e determinado pela própria companhia, em função do número de assoalhadas do imóvel.

Apesar de o capital seguro dever ser igual ao valor de substituição dos bens em novo, há algumas excepções para esta situação: peças de arte e antiguidades. Neste caso, o melhor é recorrer ao mercado da especialidade e segurá-los pelo seu valor. No entanto, geralmente, as obras de arte só são protegidas com seguros específicos. De acordo com o Instituto de Seguros de Portugal (ISP), os bens mais raros ou valiosos - antiguidades, obras de arte e jóias, por exemplo - devem ser especificamente identificados, se possível através de fotografias e descrição das suas características, e ser-lhes atribuído um valor por peça. "Em caso de sinistro, é o segurado que tem o ónus da prova, isto é, que tem de provar que os danos se verificaram e que os bens lhe pertenciam ou estavam à sua guarda. É por isso importante guardar toda a documentação que prove a existência dos bens seguros, nomeadamente os recibos discriminados que comprovem a sua compra", revela o ISP. Caso contrário, a maioria das seguradoras paga até 1500 euros por objecto em caso de sinistro, independentemente do seu valor real. "Se no conjunto o valor dos objectos especiais ultrapassar 30% do recheio total, muitas companhias aplicam um agravamento de 10 ou 20%" sobre o prémio", salienta a Deco.

Como calcular o valor do recheio? É simples, faça uma lista de todos os objectos que possui e considere que o valor que pagaria se tivesse de os adquirir no momento de subscrever ou renovar a apólice. Adicione 10% desse montante para precaver eventuais aumentos de preço. O valor em novos dos bens aumenta à medida que os anos passam, por isso o capital é actualizado anualmente, de forma automática e com base no índice publicado no ISP. Esta tabela tem como objectivo reflectir a variação dos preços em função da inflação.

O ideal é que o consumidor reavalie os seus bens a cada quatro ou cinco anos e sempre que adquirir outros móveis, utensílios, objectos decorativos ou máquinas de valor elevado. Por outro lado, existem determinados tipos de objectos em que é difícil contratar um seguro especifico para os proteger. Por exemplo, material fotográfico ou de pesca, as bicicletas e os tacos de golfe estão sujeitos a um maior número de riscos (quedas, furtos, etc.) por serem usados fora de casa.

Preço - Tal como acontece com a qualidade da apólice, o preço também é determinante para escolher o seguro da sua casa. A verdade é que o preço da apólice depende não só do valor dos bens seguros, mas também das características do imóvel e dos sistemas de protecção instalados. Por isso, na altura de preencher a proposta discrime os meios de prevenção contra incêndio e de protecção contra roubo instalados na habitação. É o caso, por exemplo, de extintores, alarme, fechaduras de trancas ou portas blindadas. Segundo a Deco, a existência destes dispositivos traduz-se num desconto até 30% no prémio anual da cobertura de recheio.

Também o ano de construção e o estado de conservação do edifício influenciam o preço do seguro. A associação chama a atenção para o facto de algumas seguradoras agravarem o prémio da cobertura de base para edifícios com mais de 20 anos ou quando os imóveis estão localizados em áreas isoladas ou desabitadas por um período superior a 60 dias por ano. Em contrapartida, a existência de porteiro ou guarda permanente no edifício pode dar direito a descontos.