O Banco Espírito Santo (BES) e o Banco Comercial Português (BCP) precisam de reunir entre mil e 1,4 mil milhões de euros cada até ao final do próximo ano de modo a reforçarem o capital para o nível definido pela troika, estima a Independent Credit View (I-CV), uma empresa suíça de análise financeira e avaliação de rating. A I-CV, que analisou os dois maiores bancos privados portugueses no âmbito de um estudo sobre a solidez de 66 bancos europeus, considera ainda que o BCP pode ter que utilizar o fundo de 12 mil milhões de euros disponibilizado pela troika para apoio à recapitalização.





As previsões resultam dos testes de stresse conduzidos pela I-CV, a agência que previu no ano passado que os bancos irlandeses precisariam de um segundo resgate financeiro. Nestes testes - que procuram medir a resistência dos bancos a choques adversos -, a agência assumiu que os bancos europeus têm de aumentar o seu rácio de capital [core tier 1] para 10%, o mesmo valor que a troika definiu como meta para a banca portuguesa até ao final do próximo ano. Para chegar a esse nível, "o BES tem necessidades de financiamento avaliadas em 30% da sua capitalização bolsista e o BCP 55%", explica ao i René Hermann, analista sénior de crédito na I-CV. "Isso significaria que para chegar aos níveis de capital que consideramos serem apropriados para suportar os desafios futuros, ambos os bancos [BES e BCP] precisam de aumentar capital entre 1,5 e 2 mil milhões de dólares [1,04 e 1,4 mil milhões de euros]", acrescenta.

O reforço de capital é uma exigência dura de cumprir num contexto económico adverso e, por isso, parte do empréstimo a Portugal inclui 12 mil milhões de euros para apoio aos bancos que precisem. Para a I-CV, o BCP é um candidato. "Dos dois bancos [analisados], o BCP pode ter necessidade de usar o fundo se os ratings oficiais se deteriorarem mais (para território ''lixo''), o que tornaria extremamente difícil encontrar refinanciamento nos mercados de capitais", afirma Réne Hermann.

A semana passada, a agência de rating Moody''s pareceu confirmar estes receios ao colocar sob vigilância negativa - jargão que significa a antecâmara de uma descida - os ratings de sete bancos nacionais (BCP, BES, Caixa, BPI, Santander Portugal, Montepio Geral e Banif). Tal como a I-CV, a Moody''s realça que "os bancos podem precisar de utilizar a disponibilidade de 12 mil milhões de euros incluída no pacote externo", sem no entanto destacar casos específicos. Os bancos portugueses têm indicado que esse recurso não será necessário.

A banca portuguesa enfrenta a necessidade de aumentar capital e uma dieta na actividade bancária (diminuição da operação não financiada por recursos de clientes), tudo num contexto de recessão económica que piora a rendibilidade, salientam as agências. A exposição significativa à dívida pública portuguesa é outro risco, na medida em que agências como a Moody''s já avisaram para um novo corte no rating de Portugal. Para os clientes dos bancos, sobretudo os novos, o impacto é claro: os juros dos depósitos vão subir, mas o crédito será mais escasso e mais caro.

Fonte: iSabe