Os promotores estão cada vez mais flexíveis a negociar o preço das casas, perante a crise.

Lisboa tem um ‘stock' de casas novas que teimam em não se vender, sobretudo em zonas como o Parque das Nações ou a Alta de Lisboa. Contudo, apesar do preço médio por metro quadrado se manter nos 3.500 euros, não é tanto pelo valor que as casas não se vendem - até porque já desde 2009 que os promotores têm vindo a praticar descontos que podem ir até 20%.





Um estudo da Aguirre Newman sobre o mercado residencial, divulgado ontem, revela que os promotores estão agora mais flexíveis a negociar os preços e os descontos variam conforme o tipo de empreendimento. Se se tratar de um edifício com mais procura, os preços podem ser revistos em baixa até 20%. Se forem empreendimentos mais pequenos, a negociação já é mais pontual e oscila entre os 10% e os 20%. Este acerto dos preços é uma das razões apontadas para se terem vendido mais casas em 2010, até porque ficaram concluídos mais 24 novos empreendimentos. Ainda segundo o estudo da Aguirre Newman, contavam-se 6.105 casas novas em Lisboa no ano passado, das quais apenas 2.239 estavam à venda. Em 2009, a oferta total era de 5.685 casas e apenas 2.506 estavam no mercado de venda.

Outra razão que explica este cenário "tem a ver com o facto de terem entrado no ‘stock' inicial alguns empreendimentos novos que se venderam muito bem em planta, em especial no Chiado e em Alvalade", explicou uma das consultoras do departamento de Estudos de Mercado da Aguirre Newman, Paula Sequeira, ao Diário Económico.

Lumiar com maior dinâmica de vendas

O tempo médio de venda de uma casa nova em Lisboa é agora de 53 meses, ou seja, quatro anos e quatro meses. Um prazo dilatado que causa grande pressão sobre qualquer promotor e que explica a necessidade de fazer descontos para escoar a carteira imobiliária.

Há zonas, porém, onde ainda é seguro fazer negócio, como é o caso do Lumiar ou dos Olivais. Paula Sequeira explica que não é por serem das zonas mais baratas de Lisboa que as casas se vendem mais depressa. Para a responsável, a escolha de uma casa está cada vez menos ligada ao preço e mais à localização, aos acessos e aos transportes e serviços que tem por perto. Neste momento, conta Paula Sequeira, "nem tudo o que é caro é imune à crise e nem tudo o que é barato se vende".

A prová-lo está o facto de zonas como a Alta de Lisboa, também com preços mais baixos, terem registado poucas vendas em 2010. Ou ainda do facto do Parque das Nações ter "estado muito parado" e de não ter "entrado nenhum apartamento novo desde 2009". Só que boa parte da oferta destas zonas são casas à venda há muitos anos e que hoje são consideradas sobras, como os rés-do-chão ou casas com áreas maiores.

É por isso que o director-geral da Aguirre Newman, Paulo Silva, considera que "tendencialmente, vamos começar a ouvir falar de comercialização em vez de venda" porque o arrendamento vai ter de crescer.

Fonte: Económico