O índice ISEG atingiu neste mês de Maio o seu valor mais baixo de sempre (o primeiro valor do índice data de Setembro de 2004).

E a descida foi significativa em relação ao mês anterior, confirmando uma tendência pessimista entre os membros do painel, pese embora alguma diminuição do consenso entre os membros do painel no que diz respeito à avaliação da conjuntura.




Há um mês atrás era eram ainda desconhecidas as medidas que viriam a ser acordadas com a troika. O memorando de entendimento assinado em 3 de Maio veio confirmar em pleno o que era por todos antecipado nos seus traços mais gerais. Portugal vai atravessar um período de ajustamento recessivo que será longo e difícil. As metas pretendidas para a necessária redução para o défice público implicam medidas duras, com implicações negativas no rendimento disponível e no emprego.

Prevê-se aliás um aumento do desemprego para níveis bastante superiores àqueles que caracterizaram os piores momentos da década de 80.

Acresce que o ajustamento se dá num contexto internacional adverso. Às dificuldades próprias de obtenção de crédito para a nossa economia, juntam-se expectativas de subidas da taxa de juro por parte do Banco Central Europeu, a subida recente dos preços do petróleo, e sobretudo, uma elevada incerteza sobre os desenvolvimentos na zona do euro, nomeadamente no que diz respeito à Grécia.

Finalmente, esta apreciação pelos membros do painel é feita num contexto de elevada incerteza política, em que ainda não se entrevê um quadro claro de aplicação das medidas de ajustamento, e portanto, uma perspectiva, distante ou não, de retoma da actividade e do crescimento.

Não é portanto de admirar mais esta descida do índice ISEG. Quando bateremos no fundo?

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Miguel St. Aubyn, Professor Catedrático do ISEG


Fonte: Económico