A responsável do PE defende que os programas de resgate deviam ser maiores.

A presidente da comissão de Economia no Parlamento Europeu, a britânica Sharon Bowles, defende, em entrevista ao Diário Económico, que a margem de lucro dos empréstimos-resgate da União Europeia devem ser devolvidos no final do período como prémio e incentivo pelo cumprimento, facilitando o regresso aos mercados. E avisa que é demasiado optimista a Irlanda voltar ao mercado em 2012 e Portugal em 2013. O contágio da Grécia não o deverá permitir, como se tem visto.



O reescalonamento da dívida é já o início da reestruturação que tantos receiam?
É claro que isto tudo tem de ser gerido com muito cuidado porque não queremos acabar com um incumprimento nas mãos. Temos de olhar para toda uma gama de instrumentos novos diferentes dos que já foram tentados, sem recorrer a soluções extremas.

Mas estamos a falar de um recorte da dívida ou só de compromissos voluntários?
Há vários níveis de voluntariado (risos). Por exemplo, pode ser voluntário, mas haver um incentivo em que só as novas obrigações [com maturidades mais longas] podem ser aceites pelo BCE [como colateral]. O problema é que o BCE demonstra alguma relutância em aceitar este tipo de prática.

E como se pode evitar o efeito de contágio que esta discussão está a provocar nas outras economias periféricas?
De certa forma julgo que é um pouco injusto este contágio, porque a Grécia é um pouco mais extrema. Os países estão todos numa posição muito diferente. A Irlanda é sem dúvida a mais diferente porque tinha uma economia muito aberta com instrumentos para o crescimento que já existem. Portugal e Grécia ainda estão a procurar formas de criar esses instrumentos de crescimento. Há três países distintos com razões diferentes para estar onde estão e, por isso, esse contágio é lamentável. Julgo que o tempo é a melhor solução. Quanto mais tempo Portugal e Irlanda tiverem para se distanciar da Grécia menor será o contágio.

Fonte: Económico