Os portugueses continuam a cortar no que põem no carrinho do supermercado, mas já não conseguem poupar muito mais. É que, embora estejam a comprar menos, a factura final não está a acompanhar o ritmo da descida.





A culpa é do aumento de preços, que irá continuar a sentir-se ao longo do ano, por causa da maior carga fiscal e do petróleo e matérias-primas e malta. Segundo um estudo da Kantar WorldPanel apresentado, o volume de compras no grande consumo caiu 2,2% entre Janeiro e Março, mas o valor gasto pela população diminuiu apenas 1,3%.

Ainda assim, as medidas de poupança perante as perspectivas pouco animadoras continua a reflectir-se na substituição de produtos de marca pelas marcas de distribuição. O gasto dos portugueses em marcas brancas cresceu 7,7%. E os produtos com a insígnia da distribuidora chegaram a 37% do mercado, uma fatia que em 2010 não chegava a 34%.

As más notícias para o consumidor é que estas marcas também aumentaram de preço: mais 3,1% em média. Os primeiros três meses do ano foram ainda marcados pelo efeito da abertura das grandes superfícies ao domingo. Neste tipo de espaços, o consumo caiu apenas ligeiramente (-0,4%) e o valor de vendas conseguiu mesmo subir 1,4%.

O crescimento neste canal fez-se à custa de uma queda de 9% no comércio tradicional e, segundo o mesmo estudo, 64% do crescimento do valor de consumo deveu-se às aberturas aos domingos.

A WorldPanel concluiu ainda que os portugueses estão a distribuir mais as suas compras. Ou seja, vão mais vezes ao supermercado (+0,7%) e compram menos de cada vez (-2,9%). A tendência mostra que é mais imperativo buscar preços, aproveitar promoções e escolher os produtos mais baratos de cada insígnia. Há contudo produtos e categorias que ganham em cenário de retracção do consumo.

CORTES NO CAFÉ FORA DE CASA- No primeiro trimestre de 2011, houve apenas uma categoria a crescer, o Take Away (5,5% em volume e 6,4% em valor), uma oportunidade para a distribuição em tempo de crise: comida já preparada, para consumo em casa ou no local de trabalho, que substitui os restaurantes. Esta tendência, já antes sentida, alargou-se agora a outros produtos, como o café ou o açúcar.

Em média a compra destes produtos na distribuição, em conjunto com gelados e sobremesas, subiram 27%.Segundo a Kantar WorldPanel, a tendência deverá continuar a acentuar-se nestes "pequenos prazeres" dentro de casa. Segundo Paulo Caldeira, a subida no preço dos bens alimentares deverá acentuar-se mais no próximo trimestre, chegando a níveis acima da inflação prevista (3%).

Fonte: iSabe