O director-geral da ERA, Miguel Poisson, estima que 2011 seja um bom ano para a empresa. Objectivo é contratar mais 400 pessoas.

O número de transacções da ERA aumentou 30% em 2010 e, este ano, o objectivo é continuar a crescer. Em entrevista ao Diário Económico, o director-geral da mediadora imobiliária de origem norte-americana, a operar em Portugal há mais de dez anos, revela os planos para este ano e explica por que é que esta é uma boa altura para as mediadoras.



A ERA cresceu 30% em facturação em 2010. Como se explica isso tendo em conta o momento que o sector atravessa?
Há três factores. Primeiro, porque há muito mais gente a recorrer à mediação profissional. Há uns anos, em cada três casas, uma recorria ao mediador. Hoje, já são duas em cada três casas o que significa que o mercado potencial das empresas duplicou. A segunda razão está relacionada com o fecho de cerca de mil a 1.500 imobiliárias nos últimos dois anos, pelo que tem existido uma selecção natural e quem sobrevive são as empresas mais fortes. E a terceira diz respeito à estratégia da empresa que aposta na captação de novos franquiados e no desenvolvimento de parcerias que dotam a rede de vantagens competitivas.

Como por exemplo?
Temos um acordo ao nível dos seguros que permite que as pessoas tenham um seguro de assistência técnica gratuito se comprarem casa na ERA e um outro com a Urbanos, que oferece as mudanças. Além disso, temos ainda protocolos com bancos através dos quais conseguimos financiamento a 100% para algumas casas. São alguns milhares de casas, algumas que estavam na posse do banco por incumprimento.

Que planos têm para este ano?
O primeiro trimestre deu-nos indicações positivas nesse sentido e temos todas as condições para continuar a crescer em número de lojas, facturação e parcerias de negócio. Hoje, existe um grande excesso de oferta e vai aumentar ainda mais o recurso ao mediador e a selecção natural das empresas existentes no mercado.

Há mais casas à venda em Portugal?
Estima-se que haja 350 mil casas à venda no país, o que é mais que há dois anos. Na ERA, há dois anos, tínhamos 125 mil casas e agora temos 145 mil.

Quantas lojas pretendem abrir este ano?
Temos crescido cerca de 10% ao ano em número de lojas, o que dá mais ou menos 20 lojas e em 2011 queremos manter esse ritmo. Vamos abrir um conceito novo, chamado ‘Loja +'. São iguais às lojas tradicionais da ERA, mas têm uma área mais pequena e, por isso, o investimento inicial é menor. Aqui, a aposta é nos comerciais, que têm de ter uma capacidade acima da média. É por isso que, além de aumentar o número de lojas, queremos aumentar as equipas comerciais.

Quantas pessoas vão contratar?
No final de 2009 lançámos um programa de recrutamento no qual estabelecemos como meta contratar mil pessoas em 2010 e 2011. O ano passado contratámos 602 e já estamos à frente dos objectivos, pelo que este ano devemos contratar mais do que as 400 previstas.

Há alguma região onde queiram apostar mais?
A ERA está presente nos 18 distritos de Portugal e o Norte e o Sul têm exactamente o mesmo peso na facturação da empresa. Quer isto dizer que temos um posicionamento e uma presença muito sólidas em todo o território e não há nenhuma área que queiramos reforçar em particular.

Esta é uma boa altura para comprar casa?
Dificilmente, nos próximos anos vamos ter uma altura tão boa para comprar casa.

Porque os preços caíram?
Sim. O Instituto Nacional de Estatística (INE) fala em quebras de 3% ao ano, mas há descidas maiores, principalmente nas periferias.

Isso estimula o mercado...
Vemos muitos investidores a aplicar as suas poupanças no imobiliário e na bolsa. Em algumas lojas sentimos um aumento de 100% na compra de casas com pagamento a pronto.

Mas a falta de financiamento não vos prejudica?
Para a saúde deste sector, o acesso ao crédito é fundamental. A minha convicção é de que haverá bancos que vão aproveitar agora para crescer no crédito à habitação, porque é o coração da actividade bancária.

O arrendamento subiu na ERA?
Subiu, mas continua a ser residual. Há dois anos era de 10% agora é de 15%. Existe mais procura que oferta porque as pessoas têm medo de arrendar. A legislação não protege o proprietário.


Há potencial para crescer se se apostar na reabilitação e se se melhorar a legislação?
Isso é futurologia. A verdade é que o português gosta de comprar casa. O arrendamento é apenas o barómetro que mede o acesso ao crédito. Quando é mais fácil, há menos arrendamento e, por isso, será sempre uma situação de recurso. Ainda assim, mais de 90% das pessoas que entram nas lojas é para comprar.

Fonte: Economico