Ter à espera uma reforma cada vez mais reduzida, mesmo que trabalhe mais anos, é um cenário pouco animador mas cada vez mais realista. Os alertas têm sido dados pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), que estima que os futuros reformados venham a ter uma pensão de apenas 68% do último salário.





Agora que viu o alerta outra vez, talvez deva começar a pensar numa estratégia. Está provado que ficar à espera da reforma da Segurança Social não é a melhor via e poderá mesmo trazer-lhe desagradáveis surpresas. O melhor será começar a amealhar dinheiro para que mais tarde possa gozar o tal merecido descanso.

O que fazer? Além de alguns truques para conseguir pôr algum dinheiro de parte, deve também escolher o produto financeiro mais adequado. A oferta é variada e há produtos para todos os gostos e perfis. Mas como cada caso é um caso, é melhor analisar muito bem cada uma das aplicações financeiras existentes no mercado, fazer as contas e ver qual é a solução que mais se adequa ao seu caso. A verdade é que não há fórmulas mágicas, no entanto uma coisa é certa: quanto mais cedo delinear uma estratégia de poupança, mais dinheiro conseguirá amealhar.

Conheça alguns produtos que o podem ajudar nesta tarefa:

PPR: É o mais conhecido e é o que tem ganho mais adeptos. A maioria tem capital garantido, por isso o perfil de risco é moderado. Os benefícios fiscais ditaram o seu sucesso nos últimos anos, no entanto, o governo impôs limites a estes benefícios já este ano. Passou a existir um tecto máximo ao valor dos benefícios de que os contribuintes poderão usufruir: até 100 euros consoante os escalões de rendimento. Por isso, é de prever uma descida da sua popularidade. Também é mais fácil movimentar um PPR. Transferir um produto que não tenha garantia de capital deixou de ter qualquer custo. Já no caso dos produtos com garantia de capital a comissão máxima prevista é de 0,5% do valor a resgatar.

Certificados de Reforma: Também são conhecidos como o PPR do Estado. O produto foi lançado em Março de 2008 e apresentou-se como uma alternativa para o complemento de reforma. Apresentam os mesmos benefícios fiscais dos PPR privados e é possível descontar todos meses 2%, 4% ou 6% do salário, consoante a idade. Estes descontos vão para uma espécie de fundo que é gerido pelo Estado. O complemento de reforma será tanto mais elevado quanto mais cedo aderir ao regime e mais alta for a taxa de entregas pela qual optar. Para a Deco, esta pode não ser a melhor a opção, uma vez que o produto não tem liquidez. Isso significa que o investidor só tem acesso à poupança no momento da reforma.

Certificados do Tesouro: É o mais recente produto de poupança lançado pelo Estado e tem vindo a conquistar os consumidores devido à elevada taxa de remuneração. Só em Março, os investidores aplicaram 189 milhões, um aumento de 41% face a Fevereiro. Ainda há algumas incertezas quanto ao comportamento futuro em relação a esta aplicação. O IGCP anunciou que não haveria alteração da taxa de remuneração dos certificados do Tesouro subscritos em Maio, por considerar que o mercado das obrigações do Tesouro (serve de base à remuneração) não estava a funcionar de modo eficiente. O capital é garantido e permite o resgate antecipado. Quanto mais alargado for o horizonte de investimento mais rentável se torna.

Fundos de Investimento: Constituídos por diversos investimentos individuais que, em conjunto, são aplicados em vários mercados e valores financeiros, como acções, imobiliário, etc. Ou seja, pequenos investidores entregam as suas poupanças a um gestor profissional. Sempre que o investidor pretenda, pode resgatar o respectivo investimento do fundo. Estes têm sempre a vantagem de contar com carteiras com alguma diversificação e onde é possível investir com pequenos montantes. Quem tem maior aversão ao risco pode apostar nos fundos imobiliários, os que procuram uma aplicação a médio e a longo prazo podem investir nos fundos de obrigações e os que querem fugir do risco podem apostar nos fundos de acções.

Fundos de pensões: Os fundos de pensões abertos são geridos por sociedades gestoras e têm como objectivo financiar planos de pensões a vários associados, no entanto, estes não necessitam de ter qualquer vínculo comum. As novas adesões estão sempre dependentes da aceitação por parte da entidade gestora. É preciso ter em consideração que estes fundos têm diferentes níveis de exposição a acções. Já os fundos de pensões fechados dizem respeito apenas a um associado ou, existindo mais do que um associado, quando se verifique um elo de natureza empresarial, associativo, profissional ou social entre eles, sendo necessário o consentimento destes para a adesão de novos associados ao fundo. Cabe ao supervisor emitir as normas regulamentares e proceder à fiscalização das mesmas.

Fonte: iSabe