Quem nos últimos dois anos optou por indexar o seu crédito à habitação à taxa Euribor a três meses tem grandes probabilidades de estar a pagar um ‘spread’ mais caro do que se tivesse optado pelo indexante a seis meses. Segundo o relatório do Banco de Portugal, até Maio de 2009, “esta diferença era marginal, no entanto, com a subida da Euribor a seis meses para valores superiores aos valores médios da Euribor a três meses, começou a observar-se contratos indexados à Euribor a três meses com ‘spreads’ médios superiores aos contratos indexados à Euribor a seis meses”. Ou seja, os bancos aproveitam para colocar ‘spreads’ mais altos quando o valor do indexante é menor.





O Banco de Portugal não revela os valores efectivos destes ‘spreads’ médios. No entanto, observando o gráfico, o ‘spread’ médio dos contratos celebrados em Setembro de 2010, indexados à Euribor a três meses, rondarão os 1,8%, enquanto os contratos indexados à Euribor a seis meses terão um ‘spread’ médio em torno dos 1,5%. No entanto o supervisor adianta que os ‘spreads’ médios “registaram, entre 2009 e 2010 (Janeiro a Setembro) um aumento de 33 pontos base nos contratos indexados à taxa a três meses, e de 25 pontos base nos indexados à Euribor a seis meses”.

Apesar do maior aumento dos ‘spreads’ nos contratos indexados a três meses e de, historicamente, o indexante a seis meses ser o mais utilizado, nos últimos dois anos, a maioria dos novos contratos de crédito à habitação foram indexados à Euribor a três meses – 57,4% em 2010 e 75,6% em 2010. Os contratos a taxa variável continuam a constituir quase a totalidade do mercado, representando 97% dos contratos vivos a 30 de Setembro de 2010.

No total, existem 2,3 milhões de contratos vivos, no valor de 269 mil milhões de euros. Embora no último ano se note uma redução do montante de crédito concedido, o valor médio dos empréstimos aumentou 8,3% face a 2009, e situa-se em cerca de 94.000 euros. Destaque ainda para a tendência de aumento dos prazos médios contratados na última década. Se em 2000, o prazo médio contratado ficava pouco acima dos 26 anos, em 2010 este prazo chega quase aos 34 anos.

No último ano, e perante a crise económica que assolou o orçamento das famílias, diminuíram tanto o número como o montante de reembolsos antecipados parciais.
Em número de contratos os reembolsos diminuíram 26%, enquanto em montante de crédito reembolsado a quebra foi de 32% face a 2009.


Fonte: Económico