Os próximos anos vão obrigar as famílias a apurar a sua ginástica orçamental.

As medidas acordadas com a ‘troika' para que Portugal obtenha os 78 mil milhões de euros, de que precisa para sair do actual estrangulamento financeiro, arriscam-se a deixar muitos contribuintes com falta de ar. Os gastos com a habitação vão subir, o acesso à saúde ficará mais caro, os desempregados terão um apoio mais reduzido. Estas são apenas algumas das medidas mais duras. Conheça o resto.





1. As deduções totais que as famílias podem fazer no IRS vão ser limitadas consoante o seu escalão de rendimentos. As deduções dos gastos com a saúde vão ter um limite específico;

2. A habitação vai ficar mais cara: as deduções de amortizações de empréstimos à habitação vão terminar e as de juros vão ser progressivamente cortadas. O IMI vai ficar mais caro, tanto pelo aumento do seu valor, como pela perda de isenção para muitos proprietários. Quem arrenda, também verá as deduções destes gastos progressivamente cortadas;

3. A electricidade e o gás vão ficar mais caros: vão deixar de ter direito à taxa reduzida de 6%, passando ou para a de 13%, ou para a máxima de 23%;

4. O valor do subsídio de desemprego vai ficar mais baixo (não vai superar os 1.048 euros) e as indemnizações por despedimento também vai econlher;

5. Quem recebe apoios sociais - como por exemplo subsídio de desemprego, abono de família ou subsídio de parentalidade - vai ter de declará-los no IRS, para englobamento. Em alguns casos, a taxa de IRS da família pode subir, agravando o imposto a pagar;

6. Todas as pensões acima de 1.500 euros mensais serão cortadas, tanto para os reformados do sector público, como do privado. A redução será em linha com o corte já efectuado nos salários dos funcionários públicos (entre 3,5% e 10%);

7. As taxas moderadoras para aceder ao Serviço Nacional de Saúde vão ficar mais caras e abranger mais utentes, uma vez que os critérios para isenção serão revistos. Urgências e consultas externas serão mais penalizadas;

8. O valor pago pelas horas extraordinárias vai ser mais baixo: não pode superar 50% do valor da hora de trabalho regular. Até agora, esta era a remuneração mínima paga pelas horas extra. Os bancos de horas também serão negociados ao nível empresarial, substituindo o pagamento do trabalho extra por descanso;

9. Os preços dos transportes públicos vão subir em breve. As empresas terão de apresentar uma proposta para a revisão das tarifas até ao final deste mês;

10. Os benefícios dos subsistemas de saúde públicos (da ADSE, dos militares e dos polícias) vão ser cortados, obrigando a que os seus utentes pagem mais pelos mesmos serviços médicos.

Fonte: Económico