O resgate financeiro é positivo pois impede o colapso do sector público e alivia a tensão das dificuldades de financiamento da banca. 
"Numa primeira análise, o resgate internacional é positivo para os bancos por impedir o colapso do sector público e as respectivas repercussões, que poderiam levar mesmo à implosão do sector financeiro nacional", salientou Filipe Garcia, economista da IMF - Informação de Mercados Financeiros.
 




Uma opinião partilhada por Pedro Lino, presidente da DIF Broker, que sublinhou que "a intervenção internacional é muito positiva para a banca" portuguesa e que a mesma "vem desanuviar um pouco a tensão existente sobre a banca" devido às questões ligadas ao financiamento.

"É de notar que os próprios bancos exerceram pressão a favor do pedido de ajuda internacional e que são os bancos os principais detentores de dívida pública. Portanto, o 'resgate' internacional será positivo por estabilizar a situação", afirmou à Lusa Filipe Garcia.


"Porém, olhando para o que se passou na Grécia e Irlanda, os bancos não estão com os seus problemas resolvidos, longe disso. Casos houve em que foi necessário injectar dinheiros públicos, diluindo a participação dos accionistas, e outros em que os obrigacionistas foram alvo de uma reestruturação", ressalvou o economista.

Por seu turno, Pedro Lino recordou que se está a aproximar a nova ronda dos testes de 'stress' e que, "dependendo das exigências, os bancos portugueses poderão necessitar de mais capital, possivelmente através de um fundo a ser criado pelo Estado, mas este também não tem dinheiro".

Logo, com a ajuda externa, "quem vai financiar os bancos portugueses vão ser outros Estados, via Estado português", realçou Pedro Lino.

Questionado sobre se poderão haver medidas definidas pela 'troika' - Comissão Europeia (CE), Banco Central Europeu (BCE) e Fundo Monetário Internacional (FMI) - para a banca portuguesa, Filipe Garcia respondeu: "Podem surgir medidas de carácter fiscal, mas creio que no acordo com a 'troika' os bancos não sairão demasiadamente penalizados, pois não se arriscará o colapso do sistema financeiro, que a acontecer não só seria um evento de risco com eventual contágio, como também sairia mais 'caro' em termos de auxílio".

Pedro Lino explicou que a ajuda externa "vai contribuir para que a banca venha a recuperar o dinheiro que emprestou ao Estado", evitando que "a banca continuasse a financiar a massa falida estatal".

Já Filipe Garcia concluiu que "ao estabilizar a situação interna, [a ajuda internacional] pode permitir aos bancos voltar a terem interlocutores externos para conseguir crédito", ainda que tenha referido que não espera "melhorias muito significativas ao nível das condições de financiamento para os bancos" portugueses.

"O resgate permitirá que as condições não se deteriorem mais e que se evite uma insolvência a nível nacional", salientou o economista da IMF.

Fonte: economico