Saiba como proteger as suas poupanças das garras do FMI e da União Europeia e como colocar os seus investimentos na rota do sucesso.

Restam poucas dúvidas de que os próximos anos vão ser muito exigentes para as famílias. Os dados estão lançados: às dificuldades já conhecidas vão juntar-se as medidas de austeridade que serão impostas pela União Europeia (UE) e pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) a Portugal, que vão condicionar o crescimento da poupança dos portugueses, como referimos nas últimas duas edições do Económico. Hoje vamos terminar este especial de "Poupanças em Crise" com soluções para o seu dinheiro, para que as suas poupanças não sejam apanhadas nas "armadilhas" da ‘troika'.



A estratégia certeira

Investir não é um "bicho-de-sete-cabeças" nem está apenas ao alcance dos especialistas. Apenas é preciso alguma astúcia e seguir com cuidado duas regras basilares do investimento: não colocar todos os ovos no mesmo cesto e investir sempre com um horizonte de investimento de longo prazo. Acima de tudo, não coloque toda a sua fé numa garantia de capital que pode ser apenas aparente.

A primeira regra centra-se no princípio da diversificação. Esta ideia valeu a Harry Markowitz o Prémio Nobel da Economia em 1990 ao ter conseguido provar que através da diversificação é possível reduzir o risco de uma carteira de investimentos. Na prática, significa que os investidores devem construir uma carteira exposta a diferentes activos financeiros, com distintos perfis de risco e não alocar toda a poupança num só activo, por mais "seguro" que possa parecer. É nesse sentido que Nuno Serafim, director-geral da IG Markets Iberia, recomenda os investidores a tirarem partido da vasta oferta de produtos financeiros disponíveis no mercado e a apostarem em activos de risco, como as acções. "Dado que vivemos num mercado verdadeiramente globalizado, onde felizmente os aforradores portugueses têm várias opções em cima da mesa, somos favoráveis a uma sobreexposição aos segmentos de maior risco, como acções de empresas diversificadas e expostas globalmente, seja directa ou via fundos", revela o especialista.

Porém, é importante não esquecer que qualquer aposta em activos de risco deve ser abordada numa perspectiva de longo prazo, tal como nos remete a segunda regra do investimento.

Valor da paciência

Pode até parecer um cliché mas a verdade é que o tempo é o maior aliado dos investidores porque tem a capacidade de diluir o risco à medida que os anos vão passando. Nesse sentido, a melhor forma de ultrapassar a crise do presente e a austeridade do futuro, deve passar sempre por um plano de investimento de longo prazo. Só desta maneira os investidores conseguirão amenizar o impacto das perdas momentâneas e capitalizar os ganhos gerados ao longo dos anos. E neste ponto as acções ganham lugar de destaque dado que, segundo um estudo realizado por Elroy Dimson, Paul Marsh e Mike Staunton, da London Business School, ao desempenho de 17 bolsas mundiais durante 109 anos, as acções tendem a apresentar uma rendibilidade média anual de 5,2% acima da inflação.

Com o mesmo sentido de orientação de longo prazo estão os certificados do Tesouro (CT). De acordo com os dados do IGCP, os (CT) subscritos em Maio vão oferecer uma rendibilidade média anual líquida de 4,53% na próxima década. Contudo, os investidores devem ter algum cuidado com este produto dado que poderão sofrer alterações por parte do FMI e da EU, ou mesmo num eventual cenário de reestruturação de dívida, com implicações directas sobre a sua remuneração.

Uma das coisas que a crise revelou foi que nada está verdadeiramente garantido no que toca aos investimentos. Todo o cuidado é pouco e o seu dinheiro é demasiado importante para não ser levado a sério.


Três dicas para gerir as suas poupanças

- Diversificar os investimentos: O poder da diversificação na gestão de um portefólio é de tal forma significativo que pode diferenciar o sucesso do perfeito fracasso. Mas isto não significa que tenha que ter em carteira o máximo de activos possível. O ideal é encontrar um equilíbrio entre os vários "ovos" de forma a não se sobreporem uns aos outros. Caso contrário, a diversificação do risco não tem qualquer efeito. É por isso que a diversificação deve ser feita por activos de diferentes perfis de risco e de distintas áreas geográficas.

- Investir no longo prazo: Se o cão é o melhor amigo do Homem, o tempo é o mais fiel companheiro das carteiras de investimento porque tem a capacidade de diluir o risco à medida que os anos vão passando. Isto não quer dizer que deva desligar-se completamente do dia-a-dia dos mercados porque há notícias que podem deitar tudo a perder ou a ganhar da noite para o dia. Não vale a pena é ter insónias à conta de opções de investimento.

- Ser disciplinado: No mundo dos investimentos, estar um passo à frente dos acontecimentos faz toda a diferença. Mas a verdade é que não há bolas de cristal capazes de prever o futuro e, por isso, a melhor solução passa por seguir uma gestão saudável e disciplinada dos investimentos. Este objectivo poderá ser conseguido por via de um plano de investimento programado com base em reforços mensais ou trimestrais das posições abertas.

Activos que prometem ganhos contra a austeridade

1 - Acções de grandes em presas globais
As acções são os activos que mais rendem no longo prazo. Vários estudos académicos apontam nesse sentido. E atendendo que a última década foi particularmente distinta, com as acções a renderem menos que os activos sem risco, os especialistas acreditam hoje que os próximos 10 anos vão ser bastante positivos para as acções. Para os investidores portugueses, a aposta em acções nacionais pode ser altamente arriscada dado o momento conturbado que atravessa a economia e o país. E, nesse sentido, a aposta deve recair em companhias diversificadas, com uma forte exposição aos mercados emergentes, como é o caso das grandes multinacionais. Contudo existem boas excepções no PSI 20, como é o caso da Portucel, que faz depender mais de 90% das suas receitas do estrangeiro, a Galp e a Jerónimo Martins.

2 - Fundos de investimento e ETF
Os fundos de investimento e os fundos cotados, conhecidos como ‘exchange-traded funds' (ETF), têm a capacidade de expor as principais vantagens do princípio da diversificação defendido por Harry Markowitz: através de um investimento relativamente diminuto os investidores conseguem facilmente ganhar exposição a um leque de acções e activos extenso. São por isso uma arma poderosa para orientar uma carteira de investimento ao sucesso.

Uma estratégia vencedora pode começar por centrar o portefólio num fundo de acções globais com provas dadas, como por exemplo o BPI Reestruturações, que desde Dezembro de 2000 regista ganhos anuais de 4,67%. E depois complementar a carteira com fundos de investimento ou ETF com exposição a outros activos ou sigam uma estratégia mais "exótica".

Fonte: Economico