Para os autores do livro, a Segurança Social assemelha-se a um 'esquema de Ponzi'.
Os jornalistas David Almas e Joaquim Madrinha, especializados em Finanças Pessoais, garantem que o livro 'Como salvar a minha reforma' não tem a pretensão de salvar a vida do leitor, mas asseguram que pode salvar a sua reforma. "Mesmo sem bola de cristal", os autores antecipam que, com a Segurança Social quase falida e o envelhecimento dramático da população, os novos reformados vão ganhar no máximo 68% do que recebem hoje.



Como avaliam o estado da Segurança Social?Joaquim Madrinha (JM): A manter-se o sistema de redistribuição, a Segurança Social assemelha-se a um esquema de Ponzi que a evolução demográfica se encarregará de desmoronar.

Este livro pretende funcionar como um alerta para o actual estado da Segurança Social?JM: Mais do que um alerta, o livro indica soluções de aplicação individual para conseguir sobreviver à provável falência da Segurança Social. Os portugueses já sabem que a Segurança Social está mal. Queremos que eles se preparem para o embate, que deverá ocorrer dentro de duas décadas e meia, o mais tardar.

Referem no livro que os Planos Poupança Reforma não são a solução para a reforma. Porquê?David Almas (DA): O estudo que fizemos a mais de 600 Planos Poupança Reforma mostrou que estes produtos são caros, rendem pouco e os benefícios fiscais são uma miragem. Os PPR renderam 1,54% por ano acima da inflação entre 1990 e 2009, menos do que os certificados de aforro. São caros porque o padrão da indústria é cobrar uma comissão de subscrição de 1,5% e uma de reembolso de 2%, além de custos anuais na ordem de 1%.

Quais são então as alternativas que sugerem para os portugueses prepararem a sua reforma?JM: Para a maioria das pessoas sugerimos uma combinação entre fundos de investimento em acções e títulos de dívida pública, como certificados de aforro e do tesouro.

DA: A alocação dependerá da idade do aforrador, do seu perfil e do tempo que tem até à reforma. Os aforradores fazem uma coisa mal: investir conforme os ciclos. Se optarem pelas acções devem fazê-lo por muitos anos, sem nunca sair e reforçando frequentemente as aplicações.

Fonte: Economico