O retalho, os hotéis ‘low cost’ e as residências para estudantes e séniores são as melhores apostas em 2011.

Portugal e, especialmente, Lisboa, estão fora do radar dos investidores estrangeiros que aqui encontram poucas oportunidades de negócio. Esta é uma das conclusões do estudo ‘Emerging Trends in Real Estate Europe 2011′ que reúne opiniões de cerca de 600 especialistas das maiores empresas de imobiliário do mundo.



Na lista das cidades com maior potencial para novas aquisições, Lisboa cai também cinco lugares, ocupando agora a 25º posição num mesmo ‘ranking’ de 27 cidades. E, na tabela relativa ao desempenho dos investimentos em carteira, a queda foi ainda maior – de oito posições em relação ao ano anterior – estando Lisboa agora em 24º lugar, ou seja, no final da tabela em qualquer um dos ‘rankings’ realizados neste estudo.

O consultor refere ainda que, no que respeita a perspectivas de promoção imobiliária, o estudo coloca Lisboa em 23º lugar num ‘ranking’ de 27 cidades europeias. Uma queda de cinco posições em relação ao ano passado que deixa Portugal no fim da tabela, juntamente com Barcelona, Madrid, Atenas e Dublin. Mas há mais.

A crise, a dívida pública, a quebra no consumo e o desemprego são apontadas pelos entrevistados como as principais causas para estes resultados. “No que toca aos países impopulares temos Itália, Irlanda, Portugal e Grécia com os seus altos níveis de divida pública ou privada e, em alguns casos, de ambas. Daí que os entrevistados prevejam cenários de crise em 2011 nestes países”, adianta o documento.

Contudo, ainda há algum espaço para os investidores mais corajosos que acreditem na recuperação de Portugal. A compra de activos imobiliários na área do retalho e dos escritórios são os sectores que mais se destacam, principalmente por causa do preço que tende a baixar devido ao fraco desempenho dos centros. “A Europa do Sul está num cenário de poupança e não num cenário gastador” e, por isso, “o retalho vai estar mais lento na ocupação e investimento em novos espaços. Aliás, este foi um sector supra-desenvolvido na última década. E em Portugal alguns ‘shoppings’ estarão numa situação difícil”, alerta um dos entrevistados no estudo.



Dicas dos especialistas para 2011
Concentrar no ‘core business’
Uma das regras de ouro para este ano – e para qualquer mercado ou sector – é manter as empresas focadas em apenas uma estratégia de negócio ou nas melhores cidades, ou seja, não dispersar. De acordo com os especialistas contactados pela PwC e pela ULI, novos projectos só para grandes empresas, com maior possibilidade de risco. Isto porque os bancos não estão a emprestar dinheiro para investimentos especulativos e também não apostam em activos com espaços vazios ou a precisar de obras.

Apostar nos produtos ‘prime’
Na promoção de novos projectos, enquanto os centros comerciais levantam sérias dúvidas, o comércio de rua está, claramente, nas apostas para 2011. Mas, se estiver interessado em comprar activos de retalho, eles terão de ser “‘prime’, ‘prime’ e novamente ‘prime’”, referiu um dos entrevistados. Além disso é preciso acertar no preço, dado que alguns especialistas já consideram que os preços pedidos estão demasiado altos para o produto em venda. Portugal, é visto com um bom país para investir em activos destes.

Escritórios no centro da cidade
A procura de activos ‘prime’ – produtos bem localizados, com boas rendas e com bons inquilinos, que pagam a horas – é válida para todos os segmentos do imobiliário, até habitação ou hotelaria, que não vive tanto das rendas como os escritórios ou ‘shoppings’. Nos escritórios, a tendência aponta para os escritórios de cidade, seja para novos investimentos seja para comprar como activo imobiliário para rendimento. Dizem os especialistas que há dinheiro para estes investimentos, mas convém ter contratos de pré-arrendamento.

Hotéis de duas ou três estrelas
A hotelaria tende a ser um segmento pouco procurado, já que os investidores tendem a evitar “investimentos onde são os outros que definem os resultados”. Contudo, os especialistas contactados ainda econtram oportunidades em alguns mercados, como os hotéis de duas ou três estrelas, dos quais ainda há pouca oferta na Europa. No que respeita a novos projectos, Portugal aparece mais uma vez como país a evitar, mas se for para investimento, os activos existentes podem ser boas apostas.

Residências para estudantes
Os entrevistados pela PwC e pela ULI mostraram-se confiantes com o desempenho do sector residencial, porque, dizem, é um produto de primeira necessidade que vai ter sempre procura. Contudo, concluiu o estudo, se o objectivo é investir em habitação o ideal é escolher produtos de luxo ou então nichos de mercado relacionados, com a habitação, como as residências para estudantes ou para a população sénior. Estes são produtos com uma procura crescente e para os quais ainda é possível arranjar financiamento.

Fonte: Económico