Para poupar ao máximo no crédito habitação é importante saber a diferença entre taxa fixa e taxa variável.

A taxa variável traz ganhos com baixas de juros, a fixa garante previsibilidade… Não há soluções ideais, só soluções que se adaptam a cada bolso. Leia o resto do artigo, para saber mais sobre as diferenças que a taxa fixa e a taxa variável, podem ter no seu crédito habitação.




Numa altura em que começam a ser cada vez mais evidentes os sinais de que o Banco Central Europeu (BCE) se prepara para voltar a subir as taxas de juro, torna-se ainda mais aconselhável respeitar as regras de ouro se estiver a pensar em comprar casa. É que a Euribor em alta pode representar um aumento das despesas de quase 300 euros por mês.

O crédito à habitação é uma das despesas que mais pesam no orçamento familiar dos portugueses. Por isso, há que fazer uma boa escolha para que o encargo não se torne um verdadeiro inferno mensal. Lembre-se de que, depois de assinar o papel, o empréstimo o vai acompanhar durante várias décadas.

A Deco recorda o período em que as taxas atingiam 5%. “Em finais de 2005 começaram a subir, tendo atingido o valor máximo em Outubro de 2008. Seguiu-se uma queda acentuada que atingiu valores próximos de 1% entre Março e Abril deste ano.” “As famílias que em 2008 viram o seu orçamento reduzido devido à subida da prestação puderam suspirar de alívio com os valores dos últimos meses.

“Mas nem sempre as tendências são tão lineares. De acordo com a associação, o spread aplicado pelas instituições financeiras aos novos contratos teve um comportamento oposto ao da Euribor, ou seja, desceu quando esta subiu e aumentou assim que esta entrou em declínio. “Enquanto em Agosto de 2008 os spreads oscilavam entre 0,49% e 1,56%, em Agosto de 2010 já iam de 1,05% a 3,02% – isto é, duplicaram”, diz a Deco.

Segundo os cálculos da associação de defesa do consumidor, um crédito de 100 mil euros com a Euribor a 6 meses e um spread de 3,02% pode ver a prestação disparar até mais 258 euros mensais caso o BCE enverede por um rumo que leve as taxas aos níveis de 2008.

Taxa fixa ou variável? 




Se vai pedir um empréstimo para compra de casa, prepare-se para os bancos oferecerem o chamado crédito standard ou tradicional – taxa variável indexada, mas com prestações constantes -, em que nos primeiros anos paga mais juros e amortiza pouco capital para a situação se inverter no final do prazo. “A solução nem sempre é ideal”, diz a Deco, mas é apontada a “quem está em início de vida e tem de esticar o salário até ao fim do mês ou não gosta de estar sujeito aos humores da taxa de juro” pelo menos nos primeiros anos do crédito, refere.

Por isso, a questão que se coloca nesse momento é decidir se deve optar por uma taxa fixa ou variável. Regra geral, em períodos de descida das taxas de juro as variáveis tendem a compensar. No entanto, em época de subidas de juro, como se verificou nos últimos três anos, a taxa fixa é mais compensadora.

Além disso, as taxas fixas que são praticadas actualmente pelos bancos estão mais altas do que a média das Euribor. Por esse motivo, na maioria dos casos, um empréstimo indexado a uma taxa fixa é mais caro e o cliente desconhece quando termina o empréstimo. “Se a taxa variável nunca atingir os valores praticados na fixa, os consumidores que tenham optado pela segunda hipótese estarão a fazer um mau negócio”, refere o economista da Deco, Vinay Pranjivan. Contudo, há algo que a taxa fixa oferece que não se pode medir em euros mas faz toda a diferença quando se trata de sobreviver ao mês ou não: previsibilidade. Saberá sempre quanto vai pagar, sem ter de se preocupar se daqui a um ano e meio a sua prestação estará 150 ou 300 euros mais alta.

No fundo não há soluções milagrosas. Para saber como decidir, o consumidor tem de analisar bem cada uma das opções e escolher a que mais se adequa às suas necessidades. Além disso, não se esqueça de que convém ter sempre um fundo de maneio antes de pedir um crédito, pois há muito tempo que os bancos deixaram de emprestar 100% do valor pedido – estão a emprestar no máximo 80% do dinheiro necessário e não é de prever que as facilidades voltem rapidamente ao mercado.

Também as avaliações das casas estão mais baixas, o que obriga os consumidores a ter um dinheiro extra para compensar a perda de valor. Há ainda pequenos truques que o podem ajudar a reduzir a sua prestação. A fórmula é simples: quantos mais produtos adquirir, mais atractivas são as condições de crédito. Além da domiciliação do ordenado e o pagamento de despesas a partir da conta à ordem, fazer um seguro de vida ou um seguro multirriscos pode trazer vantagens no valor a pagar ao final do mês. Mas os benefícios poderão não ficar por aqui. Fazer um seguro de saúde, pedir um cartão de crédito ou subscrever um plano de poupança poderão desencadear um verdadeiro milagre, com os bancos a reduzirem o spread ao mínimo.

Para quem está a negociar o crédito à habitação, um dos parâmetros a ter sempre em conta é o spread proposto pelo banco, já que um valor elevado vai penalizar muito a prestação. Não se esqueça de que “depois de aceitar as negociações e de assinar o contrato se torna mais difícil mudar as condições.

Outro factor a ter em conta diz respeito à alteração de regras a meio do contrato. A denúncia foi feita em Junho pela Deco – ao Banco de Portugal e à Secretaria de Estado para a Defesa do Consumidor – e, segundo a mesma, “as cláusulas abusivas criavam uma situação de desequilíbrio grave entre banco e consumidor”. A verdade é que, apesar do peso que esta despesa tem no orçamento familiar, grande parte dos portugueses não sabem o que é o spread que o banco aplica ao seu empréstimo e desconhecem quanto pagam, revela um inquérito realizado pelo Banco de Portugal.

Fonte: iSabe (adaptado)