Com as limitações no acesso ao crédito, pode ser interessante arrendar uma casa por alguns anos para comprá-la depois.
Arrendar ou comprar casas: é a dúvida no momento de procurar casa. Muitas vezes, as rendas mais elevadas fazem mudar de ideias e pensar na compra de casa. Mas factores como as elevadas taxas de juro actuais ou a instabilidade ao nível profissional aconselham prudência. Neste caso, o arrendamento é a opção mais segura.



Na edição de Setembro de 2010 da revista Dinheiro & Direitos, a Deco analisou as vantagens e os inconvenientes de ambas as alternativas tendo em conta a conjuntura à época. Agora, a associação explora uma terceira via: o arrendamento com opção de compra. A casa é arrendada durante um período combinado com o proprietário, que, no geral, não vai além de cinco anos, findo o qual o inquilino pode ou não avançar para a compra. Trata-se de uma solução com vantagens para as duas partes. Com a maior dificuldade de acesso ao crédito e o menor número de potenciais compradores, os vendedores não ficam com a casa parada, a perder dinheiro.

Não recebem tudo de uma vez, mas pelo menos, vão amealhando algum capital. Já quem compra tem a possibilidade de conhecer melhor a zona do imóvel, o próprio imóvel e avaliar se está a fazer um bom negócio. Mantém-se também a salvo de imprevistos que inviabilizem o crédito, como o desemprego. Por último, conserva toda a liberdade para terminar o negócio no momento em que quiser e procurar outro imóvel mais interessante.

Este tipo de negócios é mais frequente entre particulares, através de agências imobiliárias. Ainda existem poucas transacções a envolver imóveis acabados de construir. No momento em que a Deco realizou o estudo, a Quinta da Trindade, no Seixal, era um dos poucos empreendimentos a fazê-lo. Com o objectivo de ajudar o consumidor a decidir, a Deco calculou os custos totais da aquisição directa e do arrendamento com opção de compra de um T4 no Seixal. No texto ao lado, a associação revela em que situações compensa mais a alternativa híbrida.


Tudo é negociável

Flexibilidade é a característica mais forte deste tipo de transacção. Como estamos sobretudo perante um negócio entre particulares, não há modelos predefinidos. Todas as condições podem ser negociadas, desde que as partes as aceitem e incluam no contrato de arrendamento a assinar.

No geral, o prazo do arrendamento oscila entre dois e cinco anos. Mas nada impede que o cliente compre a casa antes, se assim o desejar. Como forma de atrair clientes, alguns vendedores deduzem parte ou a totalidade das rendas ao preço final do imóvel. Se a compra se concretizar, o esforço financeiro não é tão elevado. Quanto maior a percentagem que o vendedor aceitar subtrair, maior a vantagem para o comprador.

A título de garantia, por vezes, os vendedores exigem um sinal relativo à compra do imóvel. No entanto, como o cliente perde o montante entregue se não avançar com a aquisição, desaconselhamos esta opção. Na pior das hipóteses, negoceie um sinal não superior ao total das rendas entregues até ao momento. O contrato é idêntico aos de arrendamento tradicionais. Mas é incluída uma cláusula adicional a obrigar o proprietário a vender após o período de arrendamento, caso o inquilino resolva exercer o seu direito de compra. O preço e um eventual sinal também devem ficar estipulados no documento, assim como outras condições, como a dedução total ou parcial das rendas.


Dicas para uma boa decisão

A vantagem do arrendamento com opção de compra face à compra directa depende de vários factores: volume de rendas a deduzir, período do arrendamento, prazo e taxa de juro do empréstimo para a compra, etc. Mas, na decisão final, também podem pesar aspectos não financeiros. Por exemplo, nem sempre os consumidores têm a certeza sobre o seu orçamento familiar no momento em que resolvem comprar a casa.

O arrendamento por alguns anos dá a oportunidade de ponderar melhor a decisão de compra. Com esta opção, fica a conhecer o imóvel, a zona onde se insere, a vizinhança, o ruído e outros factores que influenciam a avaliação. Se chegar à conclusão de que é um bom negócio, pode até antecipar o momento da aquisição. Se, pelo contrário, decidir não comprar, o negócio assume as características de um arrendamento normal. O valor que pagou a título de rendas não é devolvido e a casa deve ser entregue ao proprietário no mesmo estado em que se encontrava.

Enquanto o arrendamento decorrer, todos os problemas que venham a surgir no imóvel, como avarias nos electrodomésticos (se estes já faziam parte da habitação), infiltrações ou fissuras nas paredes, são da responsabilidade do proprietário. Compete também a este último contratar um seguro para paredes. Já o de recheio deve ser contratado por quem vai habitar a casa. As despesas do condomínio com quotas, em princípio, ficam a cargo do proprietário, excepto se algo em contrário ficar escrito no contrato.

Fonte: Económico (adaptado)